sexta-feira, 31 de maio de 2013

Só uma grande mobilização vai barrar PL 4330, aponta debate no Rio

"Só com grandes mobilizações nas ruas é que poderemos barrar o projeto de lei 4330, do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que permite a terceirização em todos os setores de qualquer empresa, inclusive nos bancos". A afirmação foi feita, nesta segunda-feira (27), pelo secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira, durante debate organizado pela Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e pela Secretaria de Relações do Trabalho da CUT/RJ, no auditório do Sindicato. Na ocasião o Sindicato de Campos foi representado pelo dirigente da entidade, Paulo Robeson dos Santos Manhães.

O dirigente sindical frisou que o PL em questão corre o risco de ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, ainda nesta terça-feira (28), apesar dos esforços que a CUT e demais centrais sindicais vêm fazendo desde 2004, quando a proposta foi apresentada, para que fosse rejeitada. 

"Caso a aprovação aconteça, o projeto vai direto para o Senado. Como no atual Congresso Nacional, 4 em 5 parlamentares defendem interesses dos patrões, teremos que ir para as ruas, explicar os prejuízos sem tamanho que ele trará para todos os trabalhadores, organizar grandes mobilizações e paralisações, para evitar que aconteça o mesmo no Senado", afirmou Miguel.

Rasgando a CLT

O PL 4330, na prática, acaba com os direitos previstos na CLT. A começar pela assinatura da carteira de trabalho, já que autoriza qualquer empresa a contratar todos os trabalhadores como pessoas jurídicas (PJs). Permite, ainda, que a totalidade dos postos de trabalho de qualquer empresa sejam ocupados por mão de obra de empresa terceirizada.

Assim, o PL aponta para a extinção das categorias, como as conhecemos hoje, como bancários, petroleiros, comerciários, jornalistas, etc., colocando em seu lugar trabalhadores terceirizados submetidos a condições precárias, com salários arrochados e sem a garantia do pagamento dos seus direitos, já que acaba com a responsabilidade solidária, pela qual o empregado terceirizado pode processar o tomador dos serviços, por exemplo, um banco, caso a terceirizada não cumpra com suas obrigações. O calote, nestes casos, é recorrente.

"O PL 4330 é uma afronta à Constituição Federal, pois fere as relações trabalhistas que devem levar em conta a livre iniciativa e a organização do trabalho. O PL implode todos os conceitos contidos na CLT. É uma afronta brutal à organização dos trabalhadores, porque divide e enfraquece as categorias ao permitir a livre substituição por empresas terceirizadas, quebrando, desta forma, a espinha dorsal do movimento sindical", advertiu o sindicalista. 

Miguel avaliou que, a médio prazo, haverá no lugar da relação trabalhista de hoje contratos temporários com prestadoras de serviços terceirizados e quarteirizados. "Estaremos voltando aos tempos da Revolução Industrial", alertou.

Governo Dilma

O dirigente da Contraf-CUT não crê que o governo Dilma vá vetar o projeto. "Muita gente acredita nisso. Mas é preciso lembrar que o Estado brasileiro é o que mais emprega a terceirização", justificou. 

O PL também é válido para o setor público, tanto para as empresas estatais, quanto para o serviço público. O sindicalista defendeu a regulamentação da terceirização, mas de outra forma. De maneira que garanta aos terceirizados direitos iguais aos dos trabalhadores pertencentes à categoria majoritária; responsabilidade solidária, entre outros direitos.

Pelo PL, a terceirização poderá ser feita, também, nas chamadas atividades fim. Por exemplo, atividades específicas dos bancários, que hoje não podem ser terceirizadas, pela lei, passariam a poder. 

Precarização do trabalho

O técnico do Dieese, Paulo Jagger, fez um histórico sobre o surgimento da terceirização no mundo. Essa forma de organização veio para o Brasil nos anos 1980 para 1990, através de empresas transnacionais. Depois começou a se disseminar pelo país, com efeitos perversos para os trabalhadores. 

"As empresas passaram a adotar este método que trazia redução de custos, através do arrocho dos salários, retirando direitos e desqualificando a mão de obra. E isto compromete um projeto de país para o futuro. Talvez, as empresas e o próprio governo não estejam se dando conta disto", avaliou. 

Jagger deixou uma pergunta no ar: por que este PL está sendo colocado em votação justamente num momento em que o país não enfrenta a mesma crise que a Europa, está com a economia estável e com desemprego em baixa?

Bancários e petroleiros

O secretário de Relações Internacionais da CUT Nacional e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Anselmo Ruoso, concordou com Miguel ao defender que os sindicatos organizem mobilizações de rua e façam o debate sobre o PL com a sociedade. 
Ele lembrou que as centrais apresentaram um projeto de regulamentação da terceirização à Casa Civil no governo Lula, em 2011, à então ministra Dilma Rousseff. Mas que foi engavetado. 

"Todas as centrais são contrárias a este PL. Criamos a Frente Nacional em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização e vimos empurrando este projeto, evitando a sua votação. Mas os trabalhadores não acordaram para esta realidade e uma bomba relógio está para estourar", disse.

O dirigente petroleiro disse, ainda, que o projeto permite a contratação de mão de obra por sucessivas terceirizadas e determina que as segundas férias são de responsabilidade da segunda contratada. "Esse modelo traz para o Brasil o mais perverso dos mundos", complementou. 

A vice-presidente do Sindicato, Adriana Nalesso, frisou a importância dos bancários tomarem conhecimento e se organizarem junto com o Sindicato, outras entidades e as centrais, para impedir a aprovação final. 

O diretor da CUT/RJ, Marcelo Azevedo, organizador do evento pela entidade, falou da importância de se tratar deste tema em todas as categorias e mais sistematicamente. "É possível evitar a aprovação. Mas só conseguiremos isso, com a pressão dos trabalhadores nas ruas de todo o país", defendeu.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb Rio

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ato no Centro marca início da Campanha Salarial 2013/2014 em Campos

Início da Campanha Salarial. Foto: SBTRAF - Campos e Região
Teve início nesta terça-feira (28) a Campanha Salarial 2013/2014 dos bancários e bancárias em todo o Brasil. Em Campos, o dia foi marcado com a atuação do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Campos dos Goytacazes e Região (SBTRAF) nas ruas da cidade entregando os formulários de pesquisa da Campanha, para a categoria apontar quais são suas prioridades, e distribuindo uma cartilha à população, alertando de seus direitos e como defender-se dos abusos dos bancos.

Entre os questionamentos feitos no formulário, estão questões sobre as reivindicações de remuneração fixa e variável, quais demandas prioritárias de emprego, saúde, educação, segurança, condições de trabalho e a disposição de participar da campanha. Além, de perguntas relacionadas a temas atuais, como a regulamentação do sistema financeiro, redução dos juros, projeto de terceirização e democratização da mídia.

Em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo e a Contraf-CUT, foi elaborada uma cartilha explicativa com detalhes dos direitos que os clientes dos bancos possuem. A mesma foi distribuída à população, a fim de aproximar os cidadãos das lutas do Sindicato, que não é somente da categoria bancária, como de todos os usuários do sistema financeiro, que necessitam de melhores atendimentos, menos tempo em filas e redução de taxas.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Após privatização, Itaú, Bradesco e BB assumem controle do IRB-Brasil



Thais Folego 
Valor Econômico

O governo brasileiro concluiu a desestatização da maior resseguradora do país, o IBR-Brasil Re, a única privatização federal nos últimos oito anos. As seguradoras do Banco do Brasil, do Bradesco e do Itaú, além do Fundo de Investimento em Participações Caixa Barcelona e a União Federal, assinaram, na sexta-feira (24), acordo de acionistas do novo bloco de controle da resseguradora.

O IRB foi inscrito no Plano Nacional de Desestatização (PND), comandado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), em 2005, quando foi realizada a última privatização do programa - no caso a venda do Banco do Estado do Ceará (BEC) para o Bradesco.

Em paralelo, a BB Seguridade (por meio da subsidiária BB Seguros) e a União assinaram contrato de transferência de ações, em que o governo vende 212.421 ações ordinárias do IRB (equivalente a 21,24% do capital total da companhia) para o braço de seguros do BB por R$ 547,4 milhões (R$ 2.577,00 por ação).

Além do acordo de acionistas, o processo de reestruturação societária do IRB envolve a conversão da totalidade das ações preferenciais em ordinárias (na proporção de um para um) e a emissão de uma ação de classe especial ("golden share") para a União. Também está previsto o aumento do capital social do IRB, mediante emissão de novas ações ordinárias, com renúncia total da União Federal ao exercício de seu direito.

A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo da Defesa Econômica (Cade) em abril, mas a finalização do negócio está condicionada ao sinal verde do Tribunal de Contas da União (TCU) e posterior aprovação do aumento de capital pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Ao fim do processo, o Itaú vai deter 15% do capital social do IRB, desembolsando R$ 2,3 milhões no aumento de capital da resseguradora. O Bradesco, que atualmente detém 21,24% do capital, não vai exercer seu direito de subscrição e terá sua participação diluída para 20,42% após o aumento de capital. A BB Seguridade também terá sua participação diluída para 20,42%. A União terá 15% do capital do IRB vinculado ao acordo de acionistas, mas sua participação final no capital da resseguradora ainda não foi divulgada.

Fundado em 1939, o IRB deteve o monopólio do mercado de resseguros no país até 2007, quando o setor foi aberto à atuação de companhias locais e estrangeiras. Em 2012, a companhia teve receita de R$ 2,4 bilhões, equivalente a 40% do mercado.


Fonte: Valor Econômico

Encontro Nacional define pauta específica dos funcionários do Mercantil

Os participantes do Encontro Nacional dos Funcionários do Mercantil do Brasil definiram a pauta de reivindicações específicas que será encaminhada para negociação com o banco mineiro. O evento, promovido pela Contraf-CUT e Fetraf-MG, foi realizado na quinta-feira (23), na sede do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte.

A minuta inclui demandas como melhores condições de trabalho nas agências, implementação de um Plano de Cargos e Salários (PCS), contratação de mais funcionários, segurança bancária, ampliação no número de bolsas de auxílio educacional, melhorias nos planos de saúde e odontológico, plano de previdência privada e Programa de Participação nos Resultados (PPR) mais justo e igualitário, dentre outras reivindicações.

Além da elaboração da pauta específica, os bancários também traçaram estratégias de luta e mobilização em todo o país. As entidades sindicais se comprometeram a trabalhar de forma coesa e organizada para potencializar a pressão sobre o Mercantil e conquistar mais direitos para os funcionários.

Durante o evento, os dirigentes sindicais tiveram acesso também a uma extensa análise de balanço, realizada pelo Dieese, sobre a situação financeira do Mercantil, baseada nos números divulgados pelo banco nos últimos anos. 

Hora de reconhecimento e valorização

Em palestra, o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira, fez uma radiografia minuciosa das contas do Mercantil e demonstrou que o momento financeiro do banco é favorável para que os trabalhadores se mobilizem cada vez mais e exijam o reconhecimento de todo o esforço e dedicação prestados ao banco, responsáveis por seus lucros cada vez maiores.

Miguel comemorou o sucesso do evento e avaliou que os funcionários do Mercantil saíram do Encontro Nacional mais unidos que nunca. "Agora, cada sindicato deve intensificar as mobilizações em suas bases, em consonância com o resto do país, para mostrarmos ao banco toda a força dos bancários, a fim de conquistarmos cada vez mais", ressaltou.

A presidenta da Fetraf-MG, Magaly Fagundes, destacou o sucesso do Encontro Nacional como um prenúncio de novas oportunidades de atuação do movimento sindical em favor dos trabalhadores. "As resoluções serão seguidas e o banco não terá como negar as reivindicações dos bancários do Mercantil, que são justas e necessárias. Tenho certeza que as ações realizadas em conjunto caminharão para um desfecho favorável ao trabalhador bancário", apontou.

Disposição de luta não falta

O funcionário do Mercantil e diretor do Sindicato de BH, Vanderci Antônio da Silva, destacou que, após o Encontro Nacional, os dirigentes saíram com um posicionamento definido em relação à atuação do movimento sindical em todo o Brasil. "Mostraremos disposição e força em nível nacional para lutarmos por melhores condições de vida e trabalho dentro do Mercantil. Os trabalhadores do banco abraçaram juntos essa luta pelo justo reconhecimento", afirmou.

Para Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil e diretor do Sindicato de BH, o Encontro Nacional foi uma grande oportunidade de aprendizagem e incentivo para os dirigentes sindicais do banco. "A condução e a conclusão do evento foram bastante objetivas e coroaram os esforços de todos os presentes. Agora, precisamos avançar na luta para arrancarmos mais conquistas para os bancários do Mercantil. Os funcionários exigem a sua parte no lucro do banco, cujo crescimento se deve exatamente ao esforço incansável dos bancários", afirmou.

Já o presidente do Sindicato de BH, Cardoso, enfatizou que o Encontro Nacional foi um divisor de águas nas relações dos bancários com o Mercantil. "O banco não pode continuar usando de subterfúgios para negar anseios históricos dos funcionários, como a valorização, melhores condições de vida e dignidade. O movimento dos bancários do Mercantil sai deste Encontro mais fortalecido para enfrentar, de forma cada vez mais aguerrida e organizada, todos os abusos praticados pelo banco", concluiu.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb BH

sexta-feira, 24 de maio de 2013

UNI Finanças envia cartas aos presidentes do Santander e cobra respeito

A UNI Finanças, sindicato global que representa 3 milhões de trabalhadores de 237 sindicatos de todo mundo da área de finanças e seguros, enviou na quarta-feira (22) cartas aos presidentes do Santander Brasil, Jesús Zabalza, e do grupo Santander na Espanha, Emilio Botín. Os documentos foram encaminhados pelo chefe mundial da UNI Finanças, Márcio Monzane.

"Rechazamos cualquier iniciativa que tenga por objeto dañar la libertad de expresión y obstaculizar la acción de las organizaciones representantes de los trabajadores. El Santander no puede impedir el legítimo derecho de los trabajadores bancarios de organizarse y expresarse en todo lugar en el que el grupo tenga atividades", afirma o documento em espanhol para Botín.

"Por lo tanto, nos solidarizamos con las organizaciones objeto de ataques contra su derecho de organizar y exigimos que el Santander Brasil respete a los sindicatos brasileños que representan a los trabajadores bancarios que tantos beneficios generan para esta institución financeira", defende Monzane. 

Clique aqui para ler a carta para Botín.

"Esperamos que el Santander revise su comportamiento con respecto a los sindicatos brasileños y entienda que en un momento de democracia no es posible, ni imaginable, que una empresa mundial todavía trate de impedir a los trabajadores organizarse y manifestarse por sus derechos", conclui Monzane na carta também em espanhol para o presidente do Santander Brasil. 

Clique aqui para ler o documento para Jesús Zabalza.

Além disso, a UNI Finanças lançará uma campanha por meio da qual sindicatos e trabalhadores de todos os continentes e categorias possam assinar carta a ser encaminhada aos presidentes do banco no Brasil e na Espanha.


Fonte: Contraf-CUT com UNI Finanças e Seeb São Paulo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Em protesto contra demissões, agências do Santander atrasam abertura em uma hora

Protesto no Santander. Foto: Aldir Sales Gomes/SBTRAF
Seguindo a orientação da Contraf-CUT, o Sindicato dos Bancários e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Campos dos Goytacazes e Região (SBTRAF) realizou, nesta quinta-feira (23), uma manifestação em protesto às massivas demissões praticadas pelo Santander. As agências Boulevard e Treze de Maio tiveram um retardo no funcionamento de cerca de uma hora, enquanto membros do Sindicato conscientizavam os bancários e bancárias que chegavam para trabalhar.

Com 26% de seu lucro mundial gerado no Brasil, o Santander dispensou 878 funcionários nos quatro primeiros meses do ano, segundo levantamento feito pela Contarf-CUT. O corte reduz o número de pessoas para atenderem os clientes, causando sobrecarga de trabalho, pressão, assédio moral, estresse, uso de medicamentos de tarja preta e doenças em seus servidores.

Para mais informações, clique aqui.


por Aldir Sales Gomes

Em vez de negociar emprego, Santander quer calar movimento sindical

O Santander continua dispensando trabalhadores em 2013, mesmo depois do processo de demissões em massa em dezembro do ano passado, quando o banco espanhol demitiu sem justa causa 1.153 funcionários e cortou 975 empregos. Nos primeiros quatro meses deste ano, conforme levantamento feito pela Contraf-CUT junto aos sindicatos, o banco espanhol dispensou 878 funcionários, principalmente coordenadores. Esse número, embora parcial, supera o total de 765 desligados nos primeiros quatro meses de 2012, conforme dados do Caged do Ministério do Trabalho e Emprego.

Essas novas dispensas aumentaram ainda mais a falta de funcionários nas agências, bem como a sobrecarga e a pressão no trabalho, o que gera assédio moral, estresse, uso de remédios de tarja preta e adoecimento de trabalhadores.

Essa realidade também prejudica o atendimento na rede de agências. Não é à toa que o banco liderou em abril, pelo terceiro mês consecutivo, o ranking de reclamações de clientes no Banco Central.

Dia Nacional de Luta

No dia 11 de abril, conforme orientação da Contraf-CUT, foi realizado um dia nacional de luta por mais e melhores empregos, com protestos em todo país. Houve distribuição de uma carta aberta aos clientes, pedindo apoio para a luta dos bancários.

Clique aqui para ler a carta aberta aos clientes.

No entanto, em vez de negociar com a Contraf-CUT, federações e sindicatos uma política de emprego, que garanta o fim das demissões imotivadas e da rotatividade, mais contratações e melhores condições de trabalho, o Santander deflagrou uma onda de ações judiciais contra sindicatos e a Contraf-CUT no Estado de São Paulo, citando trechos da carta aberta, para tentar intimidar o movimento sindical.

O banco ajuizou processos, com igual teor, em São Paulo, Campinas, Assis, Araras e Catanduva, buscando a condenação das entidades sindicais "em indenização por danos morais, além da obrigação de fazer e não fazer". Pode?

Acusações descabidas

O banco acusa as entidades de "promoveram a edição de notícias inverídicas e comentários difamatórios, revelando induvidosa má-fé e inegável intenção de deturpar a imagem, reputação e o bom nome do requerente junto aos seus clientes e à sociedade em geral".

"Muito embora o Sindicato réu venha divulgando o hipotético corte de 975 postos de trabalho, ainda que isso supostamente tenha ocorrido, devemos considerar o contexto onde isso ocorrera, ou seja, o universo de aproximadamente 53.900 empregados efetivos hoje no Santander em todo Brasil", alega o banco.

O Santander requer que as entidades "se retratem imediatamente acerca das notícias veiculadas por meio de panfletos e em seu site e, ainda, que deixem de veicular as propagandas/informes/notícias ofensivas ao banco".

Não é a primeira vez

O Santander, numa tentativa de intimidação contra as representações de trabalhadores, já entrou em agosto de 2011 com uma medida cautelar na Justiça contra o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a Afubesp, a Fetec-CUT/SP e a Contraf-CUT para que fosse retirado do ar o spot veiculado na Rádio CBN na véspera da final da Copa Libertadores, entre Santos e Peñarol, em São Paulo. 

As quatro entidades foram condenadas a pagar uma indenização de R$ 1,5 milhão em primeira instância, mas recorreram da decisão judicial.

Mais uma prática antissindical do banco

"Trata-se de mais uma prática antissindical do Santander que agride a organização dos bancários de todo Brasil", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. "Vamos entrar com todas as medidas judiciais cabíveis e intensificar a mobilização da categoria para defender o direito de expressão das entidades sindicais na luta por emprego, condições dignas de saúde, segurança e trabalho, e melhoria do atendimento aos clientes", enfatiza.

"O banco devia apostar no caminho do diálogo e da negociação coletiva, ao invés de querer amedrontar, censurar e calar o movimento sindical", salienta Cordeiro.

"Não existe justificativa para demitir funcionários diante do lucro de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre deste ano no Brasil, que representa 26% do resultado mundial do Santander", reitera Ademir Wiederkehr, funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT. 

Na Espanha, que passa por grave crise financeira e onde o banco obtém hoje 11% do lucro global, a situação é bem diferente para os bancários do Santander. No último dia 7, durante a 7ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais dos Bancos Internacionais, ocorrida em Assunção, o secretário de relações internacionais da Comfia-Comisiones Obreras, Francisco Garcia Utrilla (Pepe), disse que lá quase não há demissões no Santander e que um acordo assinado com os sindicatos espanhóis garante que não haverá medidas traumáticas nas relações de trabalho.

Valorização

Esse novo ataque do Santander está sendo duramente criticado nos encontros estaduais e regionais preparatórios ao Encontro Nacional dos Dirigentes Sindicais do Santander, a ser realizado nos dia 4 e 5 de junho, em São Paulo. 

"Ao invés de ataques à organização sindical e enrolações nas negociações, queremos respeito, valorização e dignidade para os funcionários e aposentados do banco", conclui Ademir.



Fonte: Contraf-CUT